quarta-feira, 24 de junho de 2009

Corpo

*
Por Germano Xavier

meu corpo,
cota medievalesca imprestável,
em tardes de eu-sozinho
e em receitas exageradas
de se combinar braseiros,
apenas acende, no fundo,
a exata forma de uma existência
anulada, esgotada em dor.

o corpo, meu vestido
(multiplicante, pois sou vário)
de andar direito, direto,
reto?
é apenas ele,
o que se sabe dele.

não sou meu corpo,
como também não sou a palavra.
a palavra está.
o corpo está.
não são.
não me são.

tenho certeza, Affonso,
é sal meu corpo,
é sangue minha palavra.
e mesmo morrendo, pouco a pouco,
vivo onde e quando os dois,
o corpo e a palavra,
sem querer me ultrapassam.


* Google.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Balthazár

*
Por Germano Xavier

I

só já velho,
sem quase felicidade
no coração,
é que fizeram uma festa para ele.
festa de aniversário.
foi o dia de Balthazár morrer.


II

Balthazár foi prendendo
os animais, cada um numa cela.
após todas as prisões, olhou
para os lados e se sentiu preso
numa solidão.


* Deviantart.