segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Abelardo e Heloísa

*
Por Germano Xavier


(Ou o mito do amor imortal)

lenitivos não existem sob a imanência
das alturas irrespiráveis. bendições não haverão
diante das execuções públicas crudelíssimas.
Hosanas deseducarão com má fé os cristãos
concebidos sem pecado original,

porque a matina amante sabe-se chiaroescuro,
e Uebermensch olhado de cima
de uma catedral gótica é o coração sem excrescências.

Prometeu perseguido por conter a fonte do segredo,
Esfinge sem questionamentos, o deus sem correntes
vulgarmente criado do povo que não conjuga julgamentos.

amor é na treva a voz sem túnel, garfo no baço e osso
perfurado, titanomaquia dizimada por aves de brinquedo
sem corda dada. onde viverá o espírito mais nobre das coisas,

quem saberá dizer de onde vem a melíflua manhã das macieiras
na primavera febril?


* Imagem: Google.

7 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Impossible Love
by ~lifestylegraphics"
Deviantart

Letícia Palmeira disse...

Almas estão salvas porque agora você escreve. Acredito que viver sem escrever é quase não viver.

E você se torna o mito que existe.

Canto da Boca disse...

Quem saberá?
Mas não tem amor mais forte que o de Aberlado e Heloísa, segundo o que já li sobre...

;)

Indizível de Ser disse...

Meu querido... Tuas palavras são sempre réstias de luz em minha vida... para tantas vidas...
Saudade sempre.

Rosangela Neri disse...

Quem dera... eu.

Parabéns.

Beijinhos da Rô

Josy Poulain disse...

quem saberá? :D
lindo, moço...

♫ ♪ Wilson ♫ ♪ disse...

Caro Germano,

Poesia para ler e absorver. Onde viverá o espírito nobre das coisas? Olhe para dentro de ti, da tua essência maior e encontrarás a resposta.

Um grande abraço

Deus seja contigo