terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Desses casos particulares


Por Germano Xavier


Assim, de início,
quereria meu poema
descansado, à espera
de um lucilante fio
de sol de fim de tarde.

Basta isso dele querer,
sem pedir nem mais nem menos,
e já começo dele não ser
compadre, que dirá dono!

De raio de olho,
vejo letras desajustadas,
perdendo-se, perdidas
na labuta buliçosa de formação
da palavra, que escorre
e vaza e fere e foge
e que, por não se achar
na aléia dos versos,
vira vento vulto
vazio:
ente insulso,
ou seria alimento?
(Um pouco de mim?)

E vai...
E continua,
visita sendas, fendas, plagas
do impensado,
ou seria estrangeiro?
Enfim, mais uma estrofe para trás,
deixada ao sol que não quis.

Nessas horas não o tenho
em vista; criou asas
na boca do povo
e voou desmetrificado,
sem rimas ricas,
sem correntes.

No fim de tudo,
poeta sem poema
(Pai sem filho),
porém rico,
o que se deseja
é Vida:

Vida longa ao poema!

5 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Chime
by *Spinewinder"
Deviantart

CARLA STOPA disse...

"Lutar com as palavras é a luta mais vã..."
Abraço. Encantada.

Lisa Alves disse...

Ele vive e atravessa os obstáculos do tempo. O poema não é filho e nem coisa. Poesia é um sopro de sua doçura. Belissimo!

Leonardo B. disse...

[ingrata a luta com a palavra, semelhante a braço de ferro com um deus invisível: tome-mo-la por nossa e que parta quando quiser, na sua longa vida... ao traço, ao poema!]

um imenso abraço, Germano

Leonardo B.

Daniela Delias disse...

Poema lindo, Germano! Viajei com a estrofe deixada pra trás, ao sol que não quis. São lindos os teus versos.Um beijão!