sexta-feira, 25 de março de 2011

Os meninos da seca


Por Germano Xavier

Barriga d'água, o menino cresce
de lado. A cabaceira nem dá o fruto
verde da dureza da vida.
E mais, nem correm nem fogem;
não há lugar para se esconder
do desatino, desse cruel destino.

Os meninos-velhos nem bem nascem
já estão quasemortos.
Os meninos quasevivos são pequeninos,
magros e andam despidos, desprotegidos.
Não suspeitam o futuro nem purgam
os excessos: não há excessos.
Mesmo assim brincam entre espinhos
e gravetos secos que perfuram
aquela toda-paisagem vazia.

4 comentários:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Vida seca by ~onicomicosis"
Deviantart

POESIA NA ALMA. disse...

Forte!
Da para ver as imagens... Belo, poético e real!
Agora lembre de Raquel de Queiroz.
Grande abraço, Menino poeta1

Nara Sales disse...

E ainda assim, muitos deles acreditam na vida. E seu poema é encantador.

Josemar Martins (Pinzoh) disse...

...e no entanto, há excessos
de escassez, de um tinido
que nunca cessa ou cede
nem mede a seca boca sede
cigarras-guitarras em solos retos
excessos de psicodelias febris
de ver o chão se arreganhando
em valas descabidas
por onde a vida ali se fractaliza...

O tema é duro, mas sua poesia compõe boas imagens-passagens! Bom mesmo!

Abraços!!!