sábado, 4 de junho de 2011

Poemas de amor


Por Germano Xavier

Meus poemas de amor não falam de Amor.
O Amor que escorre de mim
é antes a mágica fria,
a ótica das formas esquálidas
que vezes mentem;
outras, perfuram a carne
das lembranças, dos passados.

Não quero meu poema de amor
choroso, vagando por becos fétidos.
(Amor, a que fragrância te assemelhas?)
Inda ver quero meu poema de amor
esfaqueando almas sequiosas por brilho,
dilatando as regras amorais,
ceifando, sugando, matando.

Meu Amor cabe na palma da minha mão,
mas pode acabar com o mundo inteiro,
porque o mundo, sim,
o mundo é pequeno e frágil.

Meu Amor é rebelde; certa vez
fugiu de mim quando,
na noite estrelada e negra,
eu meninamente dormia.
E aberta a janela deixou...

(Tenho medo de perdê-lo)
Num dia chuvoso ele voltou
e fiquei tranquilo.

Meus poemas de amor mais parecem caligrafias.
São feitos das vidas,
dos frios,
das flores raras
e são muito meus;
nem assim menos teus.

Um comentário:

Germano Xavier disse...

Crédito da imagem:

"Amor... by ~EvilMota"
Deviantart