sábado, 4 de junho de 2011

Tudo inaudível


XV

Cádor,

Era você por trás de tudo. Uma névoa no dia e era fevereiro e depois março e logo era o abraço e logo era o corpo sendo penetrado e logo o orgasmo e logo o susto e depois a vontade. Homem de membros fortes, me reanima em fantasias e me é sexo e não disperso me castiga e penetra a fonte crua e nua de minhas sensações. Tremor. Homem de vime, homem de pêlos e membro edifício. Salto em edifício de homem que me é sexo e suga minha água que é vinda do sexo que faço com o homem que me transtorna. Você me faz abrir clareiras e vinga à face turva, orgasmo de quem só enxerga ninfa e penetra a vagina que é fêmea de homem forte solto em pernas e pulso e peso sobre minha fragilidade. Seu corpo se curva em meu corpo e palavra não é mais som. Tudo inaudível. Penetra a fêmea égua e entre nós, escapulário e nossa fé. Beijamos a boca da voz que dizia medo e nos afogamos no desejo. Sejamos santos. Somos espanto e nossa nudez é santa. Devora a fêmea que é a prova da verdade do tempo. Você vence. Eu venço. Você vence. Eu venço. Contorce corpo e beija a boca do verbo descoberto de meus seios em sua boca que tem versos.

Sua Virgínia.


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Amor,

Vejo agora através das janelas do tempo, que tanto nos presenteou com os mais eternos temporais de sentimento, o passar das horas mais macias e maviosas. Quando sinto a brisa a me tocar a carne do meu coração, acredito na chegada de primaveras cobertas pela singular beleza de tuas rosas e de teus lírios. Neste exato instante, recordo-me das nossas conversas quase engenhosas, já que imensas foram e sempre serão nossas imaginações, nossos planos, nossos sonhos... benditas serão as tardes a nos espreitar, a nos acolher o fogo que se acendia em nossos lábios, em nossos encontros e afetos. Benditos, também, eternamente serão os ventos que nos carregará para a mais longínqua das ausências terrestres. Lembro e tudo é como se não estivéssemos nesse mundo, como se não habitássemos aquela hora, como se não fôssemos aqueles seres deixando escorrer os mais secretos suores humanos. E como me são prazerosos esses suores... suores feitos das expectativas, das nossas cruas ansiedades, dos desejos, dos vôos e de vôos. A espera será o que mais me castigará. As madrugadas anunciarão as minhas dores e os meus dissabores, porque tudo que mais quero é saber do nosso eterno e terno tempo. Acordarei pensando em você. Dormirei pensando em você. E você será a minha mais certa ausência, a minha mais real desventura e tristeza, para depois o cataclisma de alegria e rubor. Hoje, a refletir sobre o passado, fico a sentir o tamanho da força que tivemos. Sim, somos duas criaturas fortes, unidas paredes de sangue e vida. E que o passo do tempo nada mude e, assim como um dia a beleza fica muda, não cederei de modo fácil à toda fragilidade que acontece exposta. E essa certeza, ela não mata, porque morro por pensar que não fui capaz de utilizar toda a minha fortaleza, por desperdiçar as minhas vontades em uma biblioteca de medos quando de nosso reconhecimento. Contarei ao tempo que ele é um triste perdedor, e farei do meu querer a lança que espeta de fúria o bojo de uma qualquer insegurança de olhos. Quero você feminina menina mulher. Sonho.

Somos um só.

Cádor

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