terça-feira, 5 de julho de 2011

Da decência da carne


Por Germano Xavier

Seus alicerces, suas longarinas...
A exatidão sob a folha de parra;
manifesto. Sua angústia e sua marra,
natureza lúbrica de marcas finas.

Pelos sóis, as melenas rútilas de seda
sobram na vastidão da matéria. Adentre,
em mim, ó sol que arde em seu ventre:
não façais da beleza a sombra que veda!

Vão-se as andorinhas, na ligeireza do vôo:
sementes de liberdades em minha horta.
Qual barbante me entrelaço

na ânsia vaga da ode que entôo.
Busto bacante de mulher, orgia morta;
vestido de sexo: indecoroso regaço.

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