sábado, 16 de julho de 2011

A medida do ser


Por Germano Xavier

Poeta, ser demiurgo que não mente,
e se mentisse, em que plaga estaria?,
se libar desse cálice - a Poesia -
é dor cantada que não sente.

Peleja na noite e no dia, sua "gramática",
a fortuna de Linos: escritura de mundo.
Difícil, corpo de Deus, sentido fundo
de imatéria materializada na prática.

Curador do sopro, maestro do nada;
tocador d'amores e breus, não sabe
que na profundeza das coisas que acabe

à resgate... de nada valerá a mão suada?
Senta e escreve e escande a vida que escapa,
nalgum lugar genesíaco do ser humano.

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