sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

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Por Germano Xavier

Parabéns por mais um aniversário, Iraquara.


Estas pedras vermelhas
guardam parcela de mim,
o precioso momento da nascença
de meus olhos, de minhas lágrimas
indecisas,
que foram de outros,
antigos mármores diamantinos
donos da primeira vista.

São todos em mim, fundindo-se.
Todas as transparências aquáticas,
todos os poços, fontes, grutas,
dolinas, praças, sorrisos
matutos e sábios,
todas as mãos calosas
desse povo dos pés encardidos,
impregnados de um vermelho
que mais é signo de desejo
e efervescência.

São as janelas abertas
em liberdades de pássaros,
voando o interior dessas grandezas
verdes e cor de pedra.
É um todo em mim que se desfaz
e que se perde,
quando outro mar navego.
(Isso é fonte de lamúrias e de choros
silentes)
Tem gosto de suicídio
a vida na cidade grande,
maçã podre.

Quando ando por via desses montes,
seres divinos e inatingíveis,
sinto um passo lento
carregado de outros,
certamente maiores que eu.
Eu sou apenas parte,
divisível.
Eu sou apenas tudo,
entrecortado por brilhantes.

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