quarta-feira, 7 de abril de 2010

Confissão


Por Germano Xavier

Amigo, vês aquela moça perto da curva?
Amo-a em minha vontade mais sufocada,
em meu delírio mais cego,
em minha natureza mais estampada.
Todo dia ela se deita lá,
embaixo daquela árvore,
onde tudo após ela se perde
no horizonte distante.
Vezes passo caminhando o outono
e vejo o vestido fino de seda
a balançar no redemoinho
os meus desejos.
Dentro de mim, tudo é igual...
E sei, cada vez mais, que na ausência
até mesmo duma parola a amo.
Na confusão que causa o cruzar daquelas pernas,
amo-a gratuitamente
e de maneira infundada.
Mas o que é mesmo o amor,
senão a incerteza dessas curvas sinuosas?

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