terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A criança


Por Germano Xavier

Ontem,
a mim cabia
a felicidade.
A essência do corpo,
da alma,
do mundo.

Eu era criança,
que um dia
correu,
pulou,
gritou
de alegria.

Mas esse tempo
não volta,
jamais retorna
ao ponto
de onde parou.

Quem dera!,
ter em mente
aquele gozo
descrente
de todo ódio e caos.
Quem dera!,
ainda ser
aquele pingo de gente,
de sorriso estridente,
sem mágoas
e de paz.

Quisera o homem,
que hoje se faz,
não ter o desgosto
de já ser
criatura incapaz
de enxergar
um tesouro
num simples
papel em branco
pronto ao riscar.

Despediu-se, de mim,
aquela figura
criança,
moleque,
de brilho no olhar.

Foi-se tão rápida,
de vez,
que às vezes,
por vez,
sinto nunca ter sido
tal ente querido
que imaginei.
Mas sei que fui
e que, agora,
não sou mais.

Quem dera!,
ter em mente
aquele gozo
descrente
de todo ódio e caos.
Quem dera!,
ainda ter
aquele sorriso sincero
e ser
aquele pingo de gente,
de corpo,
de alma,
de mente,
sem mágoas
e de paz.

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