sábado, 27 de agosto de 2011

Autofilia de girassóis


Por Germano Xavier

Narcisar-se, ó cruel dom da modernidade,
e se fazer de besta ao passo que elide,
de si, a natural beleza impraticada. Vide,
quão sombrio é o látego desta enfermidade!

Hedonistas possessivos em suas locomotivas
desenfreadas, as mãos incorpóreas do vazio
acariciam ásperas peles, para no mar-alto navio
de ilusões desabitar teus corpos em mortes ativas.

Bebam, seres prostitutos e indefiníveis,
das águas do lago excitante, branco
cachalote das sombras do Homem; ó, homem,

ser de miseráveis faces - incorrigíveis?
Pena desse poeta, na convulsão de ser franco,
a exalar desconcertante mal sendo metade Homem.

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