quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Corpo de musa


Por Germano Xavier

Corpo de musa em cria desfacelada.
Tuas marcas me ignoram;
franjas de um ser meu desconjuntado,
armadilha, fogo, droga, guilhotina.

Pureza no seio que amamenta
e mata e dilacera e cega...
de fome, de sede, de angústia.
Mulher espantalho, afugenta-me!

Não! Não desejo o teu porto
na baía das minhas expectativas.
Quero você na cama dos meus vários,
na propriedade viva de não ter-te...

Espero teu espaço na totalidade
do meu tempo. (E que tudo se divida
em gosto, vontade, delírio insano.)
E que sejamos a indiferença crua...

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