quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Da cousa que admiro


Por Germano Xavier

Meu verso instante pode eternizar
a parte do todo em mim – esse desejo
recria o mundo – que faz-se ensejo
de mudança. Assim começo a versar...

E verso e verso e verso; versando vou,
que verso decanta as curvas, põe reta
em círculo, impede a passagem incompleta
das coisas. Lembra que o pássaro levou,

sob suas asas, toda expressão de liberdade?
Meu verso é cativeiro, é degola, cadafalso.
Solto não sou, mas esse é meu grito:

sublinhado palavreado em negrito,
margem de mim que sou falso
manifesto de homem, ilusão, inverdade.

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