sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O escuro


Por Germano Xavier

Aperto o passo.
(Eu não posso perder as horas!)
O Tempo não se perde.
O único ser perdido aqui é o homem.
O homem: um parafuso perdido no carpete
(da sala de estar.

O homem procura o Homem, ou melhor,
o parafuso.
O parafuso perdido procura o homem que procura,
e o homem perdido procura o parafuso que procura.

Tudo se perde ainda mais,
numa escuridão milenar.

O parafuso rodopia no vão do medo do meu quarto
escuro.

Tudo é Parede.
Tudo é Espanto e eu um Susto,
um Susto sombrio que olha a Parede
do meu Espanto.

Aperto o Espanto e perco o Susto.
(Um cão de olhos gigantescamente vermelhos aparece
dentro do Susto da minha Parede)

Agora sou só Sombra, Susto e Suor.

Abro os olhos de homem perdido.

A madrugada apenas se inicia...

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