segunda-feira, 20 de maio de 2013

Poema sem título


Por Germano Xavier

Já não sei sorrir.
Já não há mais felicidade.
A noite está escura
e os ratos continuam
roendo os livros
de páginas amarelecidas
nas bibliotecas vazias.

Todo o silêncio que atormenta
a defesa desses ambientes
termina sendo um pouco de mim,
que não se acha.

As águas poluídas e negras
deste mundo bêbado
também são águas de mim,
que deságuam longe
desse arrebol menos diverso,
menos número, mais conjunto.

E minhas pegadas
(conjunção de mim, que sou vida),
elas restarão
dignas e espertas
para também serem roídas,
sem culpa,
nestes cemitérios de sombras.

2 comentários:

Lívia disse...

Adorei o poema!

Lívia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.