quinta-feira, 6 de março de 2014

Poema sem pressa


Por Germano Xavier

Eu quero um tempo perdido.

Perdido entre o sonho e o sentido.
Um tempo caído, desajustado, ferido.
Que me alongue horas de riso
interior

quando eu precisar de abrigo.
Eu quero um tempo dramático
para poder ver sem ser visto.
Um tempo escrito, presente,
sem ser aflito.

(uma música breve
que soe em meus ouvidos
como a própria exposição desse tempo,
que é meu)

E que todos produzam tempo.
Tempos.

Um tempo
é o que eu quero.
Um tempo, apenas.
Que fosse calado feito eu
ou que fosse estranho.
Paladino, quiçá,
mas que fosse para sempre.

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