quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Austeras mansidões


Por Germano Xavier

“Cada tarde é um porto.”
(Jorge Luís Borges)

o céu se azula na turba
das ramagens
que serpenteiam as pirâmides de metal.
o silêncio inexiste.
o silêncio amarra o corpo
das nossas multidões, o rosto
de nossos gritos.
as crianças correm suas brincadeiras
nos olhos dos pássaros
estanques.
nada há de movimento,
e agora os rios, que outrora perfuravam
as paredes de cera,
ferem as marcas dantescas
do vermelho das nuvens.
eu ando sozinho
e as casas gradeadas,
apedrejadas pelos meninos,
agigantam-se da altura que conseguiram
e nos encerram
em vias de nos transformar em crisálidas
de sóis.

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