
para Neuma Rozendo
quanto dura a cadência
duma estrela cadente?
quando dura, candente,
um estar imanente?
o que sucede na mente (o que se preenche?)
quando o sol à lua não mente?
e quando tudo é claridade óbvia
que nem disfarçar sabe o tempo premente?
e quanto mais se esforça o passo vigente
que o toque de recolher se não sente?
e como que não se ater ao silêncio silente
da voz cheia de coração, ser tão pungente?
quanto custa a rusga subjazida e presciente
que muito traqueja nas coisas, nas lentes?
ah, grito de dentro que não sai!, grito contínuo,
fanfarrão, acoimado num caudal de inspiração!
oh, grito doente!, artifício beligerante tão quente
enlanguescido neste frágil vão que o amor não entende!
2 ditos:
… quanto e quando - esse seu saber poetar não tem preço. Abraços, amigo!
"Ah! grito de dentro q não sai!"
adorei!
=)
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