terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O sereno do Homem

Imagem: Google
Por Germano Xavier,
após ler SERENIDADE, de Martin Heidegger.


eu sou seco
eu estou seco
o mundo é um seco molhado
o mundo está molhado
há uma seca de pensamentos
dentro
e em mim
a todo instante
em nós

(colocaram-me dentro de um cano escuro
e estando nele vejo tudo indo e vindo
sumindo e surgindo
numa velocidade atroz)

estou em fuga e a cegueira é perto
o que sou está em fuga
então calculo, logo medito?
se medito, logo calculo?
dois caminhos

desplanto-me diariamente
ponho-me em outro lugar
replanto-me onde sou e onde
não sou
estando sou o que não dá para ser
abandono-me e não me encontro mais
(o que faremos de nós antes de nós
nos sermos?)

para onde vai uma planta sem raiz
é uma incógnita
completamente simples e sem resolução

a história pode ser o solo
que me constitui e me fascina
pode

mas não nos esqueçamos de refletir
pois tudo hoje calcula
a matemática calcula
a guerra calcula
o imposto calcula
o estresse calcula
o inchaço calcula
a hora calcula


e meu pensamento, onde
perambula
a máquina que regula a ode eterna
do andar
mas quem se aproxima?
quem em mim abre mistérios
de aproximação?

caminham juntas a possibilidade e o segredo
quando ergo aos longes meus olhos lassos
em desaviso

o que é mesmo serenidade?

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