domingo, 21 de setembro de 2014

Uma flor de amor

*
Por Germano Xavier

"O vento da noite gira no céu e canta."
(Pablo Neruda) 

domingo amanhecido no início do ocaso
pernas servem para me levar
à sala a vitrola toca solitária
a música das minhas vidas

migro meu pensamento para 
elevo meu braços e num zás te cubro
de abraços dados pela boca

de seda é a tua face adormecida
sob a máscara dos cansaços
são tantos ou somos dois
ou um infinito angular

sem pressa a melodia se enerva
(horas podem ser santuários)
a certeza - bem mais que o absoluto -

de que uma flor de amor
é uma flor incomum
de que uma flor de amor
é uma flor sem dor
de que uma flor de amor
é uma flor sem náuseas

de que
quando uma flor de amor
é gerada nas campinas sob o sol
ou no asfalto quente dos destinos
amuita-se até os poucos
apouca-se até os muitos

e tudo se abre em votos
de rumar


* Imagem: Google.

Um comentário:

Daniela Delias disse...

pernas e poemas de se deixar levar, deixar-se ir.

de seda, o poema.

beijo