segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Desde o dia em que não te vi

*
Por Germano Xavier


desde o dia em que não te vi
tão tigresa em passos
nada lassos foram meus afãs
aos desejos de você com cheiro
de rebeldia e gosto
marginal

amei a hora que te fazia
em mim o branco torvelinho
desde o dia em que não te vi
sob o sol manso daquela tarde
de rio sem tamanho

teus modos de enluarar tardes
compilando instantes de eternizar
a espera insustentável e leve
de ser o que se foi
desde o dia em que não te vi

levei o doce amargo na boca
na busca árdua e até triste
pela água calorosa
que teus centros expeliam

dobrável corpo a abraçar
a maciez das epidermes
a lançar fora o ribeirão
das passagens e o amor

antes e depois
desde o dia em que não te vi


* Imagem retirada do site Deviantart.

Um comentário:

Daniela Delias disse...

Antes, depois e sempre.

Que poema lindo!