quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pescoço

*
Por Germano Xavier

o pescoço preso para frente
ave do depois e do orgulho
que teme o passado professor

o pescoço parado no corpo
que não leu o desejo de girar
para o lado planeta da paixão

o pescoço mudo como antena de som
morno o passo sob a dor do apego
a distância dos longes no passo curto

o pescoço da mulher sem homem
em despedir-se a não pedir perdão
avestruz alvoroçada sem sair do chão

o pescoço do homem sem mulher
a colher a marca da língua presa
em postes sem luz e valas fétidas

(o pescoço poda a produção se sai
do ventre da mente do coração
da magia dos cavalos silvestres?)

o pescoço a parir maus-tratos
os pratos à pia na espera-lixo
da noite sozinha com café

o pescoço que não disse palavra
na hora triste na hora melancólica
do crasso erro que separa amor

o pescoço que só quis saber de si
que só viu umbigo com calendário
de dor de choro de lágrima de arrebol


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/To-Jump-Or-Not-To-Jump-435446357

Nenhum comentário: