quarta-feira, 4 de março de 2015

Flor embalsamada

*
Por Germano Xavier

para embalsamar uma flor
e não correr o risco de perder
a memória de suas pétalas - ou risos -,
deixemos que o silêncio a espere
(ser de novo olor sempre-nascente)
em tempo inteiro e eterno

amanheçamos de corpo fechado
para as desaromatizadas horas
num exercício de exalar-se

(labirinto e compreensão)

amanhã,
quando ela perder água e enfraquecer-se
em cheiro, ao sol ou dentro de um livro,
que um beijo em sua seda natural
imortalize o que é essência

(o perfume da cor a mente conserva)


* Imagem:  http://anurbs12.blogspot.com.br/2012/04/mulher-no-romantismo.html

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