quinta-feira, 26 de março de 2015

O infausto poema

*
Por Germano Xavier

essas estradas aziagas
de azar os passos lassos pés
de pegada a ir do meu rosto
ao céu-rememorado num firmamento
sem firmamento

a morte num lento carro-de-boi
a morte num rápido móvel transmoderno
a morte no sent(ir) de paradeiro
na estagnação viva

imprimo à opereta todo o deleite:
quanto mais dor, mais amor?

(Oh, incorrigível lei dos imbecis!)

dentro do meu rumo a figura dos seus lábios está imersa
como uma água de barro em breve ARTE
você: a imperatriz dos sonhos amargos!

e agora o recheio:
ERA UMA VEZ UMA FADA MUITO BONITA QUE AMALDIÇOOU UM CAÇADOR...
E PARA SEMPRE O CAÇADOR A AMOU.

embalaram a novidade imagético-sensorial numa caixa de bombons
o doce artificial dos dias entrado garganta adentro
paranoia com glúten é o amor

infeliz menina tão inteligentemente linda
eu-atirador de facas sem acertar o alvo
sem construir feridas com você
sem fazer cortes para nunca-suturas

faltou o umectante? o estabilizante?
o regulador de acidez? o aromatizante? o emulsificante?
diz-me, amor, o que faltou desta vez?


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/A-caminho-113386786

Nenhum comentário: