sexta-feira, 3 de abril de 2015

As árvores amorosas (Parte XXI)

*
poema para a mulher da cidade fria

Por Germano Xavier

a semana começava em sextas de sexo
ou no tom grave da voz do Russo em italiano
vindo da sala, na gélida Coca-Cola de vidro
da hora do almoço, ou no sabonete
que eu sempre fazia questão de esquecer
só para sentir o cheiro de suas coisas na pele

via você trabalhando, levando os cachorros
para passeio, e aquela casa inteira-vazia dentro de mim,
eu-incógnito sem esperança de perseverar o sol
como um musgo a escorregar em seus olhos

até que a notícia do homem-aranha regional
pôs fim ao amor de pulsão conjugado no ar:
ladrão que rouba felicidades de moças de bem
não pode entrar nas portas do céu, dizia-se

a semana terminava aos domingos
quando eu tomava o ônibus de volta
no fim da tarde, mochila transbordando afazeres adiados,
coração impuro sem saber se regressaria para amar você


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Divided-View-105652272

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