sábado, 4 de abril de 2015

As árvores amorosas (Parte XXII)

*
poema para a mulher da grande beleza

Por Germano Xavier

eu havia decorado o sabor daqueles dias
na urgente ardência de sua proximidade:
uma amizade bonita que se estendeu até o rio
apontar para o feitiço que tem a amorosa dança

abraçar o seu todo tamanho quase-o-meu era um mundo
ao qual se abria o sol - felina bola de fogo a me encapsular -
sem inverno nosso clima: francesa em assinatura,
brasileira em amor, minha-minha-minha (sanha)

eu tinha botões de camisa e você dedos dobradiços
que feriam a sossegadez das tardes do meu quarto
(encostados na antiga cômoda negra burlamos a paz
dos quase-sonos juntos aos livros que nos recontariam)

fomos letras apaixonadas dentro do tempo apunhalado
pelo avesso que nossos corações tensionavam,
partimos, os dois, ainda de corações-dados, entregues
ao despertar incompreensivo das indecisões

depois, nas diversas vezes em que nos esbarramos,
fizemos o exercício desumano de fingir desimportâncias
e de despretender inclusões de implicação febril
(digo agora: não sabíamos disfarçar nada, francesinha)


* http://www.deviantart.com/art/winter-sunset-274419407

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