terça-feira, 21 de abril de 2015

As árvores amorosas (Parte XXV)

*
poema para a outra mulher dos bons fins

Por Germano Xavier

a outra mulher dos bons fins me disse um dia:
- você vive de se meter dentro em mim, faca.
E O PASSADO É UMA ARDÊNCIA INGLÓRIA.

eu lia os seus avisos:

"Resoluto desbravador de incertezas
(VOCÊ, que se não conheces o mistério, o inventas
(Haja Luz! E houve amor) ...) "

O aviso: lia e refletia.

Cachoeiras são também perigosas e imprevisíveis.
Mas VOCÊ pode secá-las. É só parar de fazer chover.
Pararia? PARARÍAMOS?

Não reclamei de suas figuras tristes. Até nuas.
Por vezes mórbidas. Era só amor.

uma máscara de ferro, o amor.
um mesmo tempo. suportável apenas
em constante fuga para ti,
em constante chuva para ti.

Se ficarmos em silêncio,
teremos aprendido a ler a vida
para que a salvemos de nossas mãos.


* Imagem:  http://www.deviantart.com/art/Trees-110763123

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