quinta-feira, 9 de abril de 2015

O capital dos dias

*
Por Germano Xavier

sobrenadam imagens no rosto de minha mente
(pois sou mais um que esperará no saguão
a cândida sensação dos aportados).

sobrevagam dores de homens recém-acordados
- centopeias acorrentadas em seus grilhões-crachás:
peregrinos do nada em forma capital.

sobrevoam lixos de grupo sacolas logo-esgoto
(meu lugar no mundo é o cômodo que abraça a camareira
cansada em dobro por ser todo-dia o veloz asseio).

a atendente já nem liga mais para a cor dos olhos de quem entra,
seus dedos assinam as permanências esquálidas dos estranhos,
a cozinheira prepara o ovo re-mexido na panela sem politetrafluoretileno
e tudo termina num gosto de alumínio.

sobressaem minhas veias curvadas nas palmas do sol.
deitam os que não conseguem mais sustentar o peso,
a amargura, o vexame, a insegurança, a impotência 

dormem-fetos em sonhos de renascença tardia
em prol do amanhã incompatível aos insurretos.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Hotel-450027534

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