segunda-feira, 6 de julho de 2015

Essas tardes nenhumas

*
Por Germano Xavier


na implacável badalada das horas
(agredindo o universo com agouros de morte),
ouve-se um tímido ressoar de rebeldia: o corpo
(ora desperto, ora entorpecido por repetição)
regurgita o cansaço e - vomitando regras -
ensaia uma humilde resistência.

em segundos, une-se à alma dizendo não.
as mãos afrouxam os laços, os pés deixam
os sapatos: olhos contam nuvens.

e quase que se consegue chegar a si.

mas as horas gritam derrubando os ombros,
espalhando náusea. então pisamos o chão das coisas mortas.
o relógio bate forte, as horas levam o sangue.


* Imagem:  http://www.deviantart.com/art/Winter-Creek-544357200

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