domingo, 5 de julho de 2015

Que não me deixa de deixar

*
Por Germano Xavier


posso ser para você sem explicações
(visto que só se explica o mensurável 
e o amor é um tempo sem medidas),
alhures lhe encontro
nos espaços onde folhas caem
e donde ventos assobiam voltas, 
suavemente, 
sem deixar cair a poesia dos sussurros.

quando entrar, feche a porta.
que um ser entre tantos ais, animal ferido
que se machuca por princípios,
debate-se por costume e sobrevive
por necessidade.

(a selvagem luta nas savanas da existência
pode confundir quem só vê garras
ou quem só vê doçura)

e em seu peito de configuração remota,
terremoto sem escalas e furacão de sete olhos,
a inundação de sonhos no espaço de um beijo.

e na estrada, veloz, alargando os sentidos
aos extremos, um ressoar aqui e em tantos corações.

você, equador de minhas vidas, você que traz
(dos infernos de outrora) as marcas do fogo na alma
(pele mais dura em lenta queima),
de enlouquecer mentes que ainda não.

eu fico a lhe gastar em devoção pura,
num tempo sem relógio e sem previsão de começos,
num tempo sem fim ou num eu te amo.

você me desenha os dias e eu apenas,
aqui, enlevado, embriagado de razão
e bestialmente lúcido de amor.


* Imagem:  http://www.deviantart.com/art/The-Shadow-544053665