quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Eventos flutuantes

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Por Germano Xavier


A corrida

A corrida de hoje foi repleta de pequenos e agradáveis incidentes. Enquanto corria na avenida, em direção ao ginásio onde corro ao redor do campo de futebol, um rapaz, que tinha acabado de estacionar e descer do carro próximo a um supermercado, de repente começou a correr do meu lado, brincando, repetindo os gestos, como quem diz, vamos lá, garota, isso aí, força! Eu fiquei tão surpresa que não consegui falar nada, só continuei correndo e sorrindo para ele. Foi uma sensação gostosa. Um gesto de leveza, finalmente, nessa correria louca que é a rotina de cidade grande. Tão humano, o bom humor. Gostei dele. Confesso que me senti muito melhor para continuar a noite. No ginásio, depois da corrida, parei na academia ao ar-livre para observar os equipamentos. Tenho pensado em começar a usá-los também. Não gosto de academia fechada, muita gente amontoada no mesmo espaço. Nada de privacidade. Isso me incomoda muito. Prefiro exercícios mais livres, com espaço e ar puro de sobra. Enquanto lia as instruções para usar os equipamentos de ginástica, uma mulher se aproximou e comentou que eles eram ótimos e ela estava adorando os efeitos que já observava em seu corpo. 

- Já emagreci dois quilos e só tem um mês que frequento. 

Teresa tem 57 anos e é uma típica mulher paulista de classe média. Mãe, profissional de educação aposentada, cuida da mãe de oitenta e oito anos e se sente a mais felizarda das mulheres que não esperam mais nada da vida, exceto sentir o mínimo de dor possível enquanto espera a degeneração do corpo e a morte. Teresa tem resposta para tudo. Frases prontas, regras da moral herdada das avós tradicionais e do senso comum já bastante ultrapassado. Católica e caridosa, considera o mundo um lugar para sofrer, mas não muito. Só quando o dinheiro não puder resolver. Para minha surpresa, ela quis saber muito de mim. Falei apenas o inevitável e resumi o essencial. Não gosto de envolvimento com quem não pretendo me envolver. No fim, ela disse que nos encontraríamos amanhã no mesmo horário. Concordei. Despedimo-nos com sorrisos sinceros de simpatia mútua. Amanhã irei correr mais tarde.


Aqui estamos nós

Aqui estamos nós. Na encruzilhada do dia. Ninguém vai nos dizer que caminho tomar. E ainda bem. Do contrário, teríamos a quem culpar quando descobrirmos que tomamos o caminho errado. Mais uma vez. Já teve a sensação de que não importa o que faça, vai se arrepender de ter feito? Já esteve entre a cruz e a espada? A cruz te culpa e a espada te mata. Mas cadê o caminho verde e tranquilo? Não é justa essa dupla opção. O que aconteceu com as mil e uma possibilidades que tínhamos (ou pensávamos ter) quando éramos adolescentes? Aos quinze anos pensamos que podemos ser o que quisermos. Aos dezoito achamos que seremos muito felizes na vida. Aos vinte achamos que sabemos o que queremos. Mas, não. Aos trinta descobrimos que nos perdemos irremediavelmente de nós. Onde ficamos? Onde nos traímos? Quando abandonamos numa esquina qualquer a pessoa idealista, sonhadora, espontânea, ousada e lutadora que éramos? Sabíamos dizer não. Sabíamos protestar. Sabíamos correr riscos e fazer escolhas pelo coração. Até que nos deixamos de fora. Até que... tanta coisa, tudo isso, nos venceu. Venceu? Deixamo-nos amedrontar. Vendemo-nos aos convenientes e adequados empregos, às conveniências de ser o que esperam de nós. Enterramos o revolucionário (o divergente, o outsider, o impulsivo, o corajoso, o autêntico nós) dentro de nós. Temos responsabilidades demais. O sonho não cabe no horário comercial. O amor não cabe no compromisso real. O que resta de nós? O que faremos de nós? Quem de nós sobreviverá? Voltemos. Quem sabe, numa esquina qualquer, encontramo-nos com quem éramos. E nos reconciliaremos. E renasceremos nós. Amém.


Dentro da música

No meio da música ela o sente, explodindo dentro, com a força de mil trovões. A música a sufoca mais do que a ausência dele. A ausência, a presença dele, a música. Luta, contorcendo a alma, nada mais ao alcance. Ele, a música, apertando-a, por dentro, nas células do coração, sufocante agonia. Quer gritar. A música o trazia em ondas, dentro. Ele, a calma, o frio, a música e o medo de um dia ele não mais estar... na música. As mãos, seu corpo. Frenética busca, no vazio... da música... mãos a apertam em dança, na música, o cheiro, lábios em disputa de espaço nas boca perdidas, na música. Arranca a pele, expõe-se ao extremo se sentir, a música, espelho de quem não vê. Ele, a música que a aperta por dentro a faz ser um som, único e universal, a espalhar-se na memória do mundo. O amor. 


Ontem

Ontem eu sonhei com ele. Novamente. Foi um sonho gostoso, como todos os outros. Aliás, tudo com ele é gostoso. Sempre. Até mesmo brigar com ele é especial. Ele disse que não sabe discutir comigo. Fiquei imaginando as tantas interpretações que isso pode ter. Não sabe discutir comigo por que sou irracional? Por que sou muito beligerante? Por que sou hipersensível? Por que sou dramática? Por que os meus constructos cognitivos estão com defeito (ele mencionou isso outro dia)? Por que ele não quer ter esse trabalho? Sei lá. Pode ser tanta coisa. Mas prefiro pensar que é porque ele não quer que nos desentendamos, nem de brincadeira. Danem-se as outras hipóteses. Eu só quero estar com ele. Não importa como. Tenho lido os seus livros; os que ele me indicou e a cada nova página, construo um pontinho na imagem que tenho dele. Ele é resultado de tudo o que viu, viveu, leu, sentiu. É, sobretudo, o resultado do que sonhou e quis realizar. É também o resultado de frustrações do que sonhou e (ainda) não pode realizar. Mas dará tempo. Eu o vejo voando muito e alto e forte e lindo. Às vezes fico pensando em como ele é especial e não sabe disso. Se ele soubesse o quanto significa pra mim! Se soubesse o que eu faria por ele, se precisasse e se me pedisse. Mas isso é irrelevante. Amar também é ficar quieto e esperar. Esperar o amor passar lentamente, perder as penas e renová-las, como a águia. O amor é insano e não considera o custo-benefício. É burro para probabilidades, orgulhoso demais para desistir e teimoso demais para voltar atrás. Ele se posta diante do pelotão de fuzilamento (os obstáculos) de olhos abertos. Consciente, implacável, obstinado, esperando os tiros que nunca o libertarão. Ontem eu sonhei com ele. 


Café

Tomar café (da manhã ou da tarde) na padaria é tradição em São Paulo. E apesar de achar o hábito estranho, acabei me acostumando. (Cozinhar não é uma de minhas habilidades mais desenvolvidas). Tenho duas ótimas padarias perto de casa e frequento as duas, com igual prazer. Quando vou tomar café sozinha (na maioria das vezes), gosto de ficar observando as pessoas que estão nas mesas próximas. Cada figura! Todo dia escolho uma pessoa para olhar mais fundamente. Observo e devaneio tanto sobre a vida, os hábitos, os gostos da pessoa (baseada em como ela se veste, como se comporta, como me olha, o que carrega nas mãos, como trata os funcionários e tantos outros detalhes) que saio de lá como se fosse íntima daquela criatura que, talvez, só exista na minha imaginação. Hoje, ao contrário da maioria dos dias, escolhi duas personagens na padaria para conjecturar sobre elas. Um homem de uns quarenta e cinco anos e um senhor de mais ou menos cinquenta anos que tomavam café duas mesas depois da minha. Este último... passei mais tempo em imaginá-lo. Um senhor alto, magro, olhar distante, cabelos já começando a ficar grisalhos (ele parecia ter a idade do meu pai e esse detalhe quase me causa uma certa culpa. Só quase). Um homem sério, tímido, visivelmente inseguro e nervosamente desconfortável com o meu insistente, apesar de discreto, olhar. Olhei de propósito, só para ver como ele iria reagir. Ele não usava aliança e parecia ser um recém-divorciado, sem namorada ainda. Concluí isso por vários motivos. Ele estava acompanhado de outro homem, mais jovem, casado (usava aliança de casado), mais bonito, mais confiante e mais adaptado àquele ambiente. A destreza do seu colega contrastava com a inabilidade do meu observado. Ele falava com desenvoltura, olhava com desembaraço para mim e para todos da padaria e sorria. Um tanto vaidoso e aparentava muita satisfação consigo mesmo. Enquanto isso, o meu observado olhava timidamente para todos os lados e baixava os olhos rapidamente, temendo ser visto. Ele apertava as mãos uma na outra freneticamente, desconsertado. Fiquei pensando se tanto nervosismo era por minha causa ou se ele era sempre daquele jeito, inábil. Parecia um rapaz de dezoito anos, virgem e inseguro. Fiquei intrigada. Se não fosse uma experiência apenas de observação, se não fosse tudo, talvez, um talvez bem pouco provável, eu fosse falar com ele, descobrir um pouco mais. Mas isso não está no roteiro e nem em meus hábitos (não que isso me impeça em outras ocasiões). Mas a questão era ficar apenas na construção de minha imagem daquele homem, no mínimo, peculiar. Ele não era feio para a sua idade. Bem vestido, formal e aparentemente bem sucedido profissionalmente, embora a sua aparência geral pudesse indicar que estava doente ou em uma crise emocional qualquer. Aparência de hospitalizado. Pálido e cansado. Os dois bebiam cerveja, mas a comunicação entre eles era precária e dispersa (o colega falava mais ao celular do que com ele). O pobre senhor parecia mais um aprendiz de alguma coisa, um incompleto e perdido homem de cinquenta e poucos anos. Ele parecia desnorteado, como se não pertencesse a lugar nenhum. Parecia sem chão. Os olhos eram tristes. Olheiras fundas e tristezas expostas. Solitário, certamente. Seu embaraço aumentava à medida que eu o olhava mais diretamente, embora ainda disfarçando, para não ficar muito evidente que era uma provocação e parecer mais uma paquera espontânea e casual. Terminei o meu café (demorei mais do que de costume, para ter mais elementos para analisar) e levantei para ir ao caixa. Precisei passar próximo à mesa dele. Fiz isso mais lentamente do que o necessário e observei se ele olharia para mim enquanto isso. Eu estava com roupa de ginástica e observei que ele olhou diretamente para minha bunda, acompanhado nesse gesto pelo seu colega (homens são homens mesmo com cem anos e tristes). Não olhei de volta. Fui para a fila e paguei o meu café, sem olhar para eles. Senti seus olhares até o último minuto. Percebi que falavam de mim. Fiquei imaginando o diálogo. Saí para a rua e para outros personagens. O mundo é grande e cheio de histórias. Só precisamos inventá-las. 


Quando acordar é um parto

Acordar é dizer sim para o dia, sim para a vida e para os desafios que virão (e como virão!). O problema é que nem sempre estamos com vontade de dizer sim. Às vezes só queremos dizer não e danem-se todos e vá tudo para a (pi pi pi pi )... Nesses dias, gostaríamos de simplesmente apagar a luz (o dia já clareou o quarto) e simplesmente começar outra noite, ininterruptamente. Dá pra pular esse dia, por favor? Talvez amanhã eu acorde mais disposta, com coragem e um pouco mais de fé em que não estragarei tudo dessa vez, que não colocarei tudo a perder como de costume. Ah, essa vontade é angústia estendida, mistura de raiva, impotência e incapacidade de mudar as coisas. São nesses momentos que descobrimos o quanto somos escravos das convenções, dos horários, do salário, dos compromissos e das máquinas.

O despertador não ajuda. Parece até que ele faz de propósito, pra nos chicotear. Nada me convence de que não há um ódio secreto contra nós e que ele tenta se vingar, bem na melhor hora do sono. E não para de gritar, a peste do despertador. Sensibilidade zero, essa coisa fria e responsável, o despertador. Até tentamos protelar o máximo aquele momento na cama (especialmente no frio), que parece bem mais gostoso do que todas as horas da noite que passamos na cama, bem mais intenso de prazer (pela rebeldia de não levantar), mas não desprovido de culpa. Então não tem jeito. É preciso levantar. No dia em que não levantamos para matar alguns leões e encarar o dia, os leões se acumulam para o dia seguinte, então fica bem mais difícil matá-los em dobro. Reagir. Abrir os olhos, planejar. Levantar. Um pé após o outro cumprimenta o chão. Cadê a energia necessária? Por que será que ainda me sinto cansada? Iluminar a mente com as necessidades do dia. O que fazer primeiro? Ah, o café da manhã. Claro. Mas não estou com vontade. A roupa para hoje? A bolsa, o celular, o caos, o inferno. Melhor nem pensar no trânsito. E lá vamos nós, na massa. Ovelhas obedientes, rebanho de bovinos semimorto. Amanhã será diferente? Bom dia a todos!


Do amor

Eu sei o que ele está pensando agora. Que grande mentira essa, que eu gosto de acreditar. Ele é tão enigmático quando o meu futuro. Mas ele é enigmático por natureza e por princípio, não apenas no futuro. O futuro dele até pode ser previsível, se ele continuar andando em linha reta como começou a fazer - sabe lá Deus o motivo, embora eu desconfie que por pressões de gente próxima. Gente que não vê que ele não é daqui e que precisa descobrir mais e mais de onde também não é. Ele não é daqui e nem de lugar nenhum onde pessoas morram. Ele é de um planeta onde as pessoas são feitas de sonhos, de carros de fogo e de monstros de bom coração. Ele é dos astros, do mar e das nuvens.

Desde que o conheci, descobri que o amor não é isso o que as pessoas falam. Não é troca, negociação e nem conveniência. Amor é destino escolhido sabe-se lá por quem, só se sabe que. Não se sabe por que se ama, desde quando, como e nem até quando. Só se sabe que e que sempre sim. Só se sabe que está lá e que é mais forte do que nós. É um prisioneiro, o amor, e nós também dele. O amor é algoz e vítima ao mesmo tempo. E quem pode negar que? Quando se arde e se respira com dificuldade quando dói e quando se pensa que nunca mais. As mãos perdem as forças, os braços caem, amolecidos e sem vontades. E deixaríamos tudo só para estar... se ao menos pudesse ser e se... Nada mais importa se não pudermos ter, no nosso espaço incorruptível de amar - o coração - a presença sagrada e provedora da luz de que a nossa vida precisa, e a visão, ainda que distante e turva, da pessoa amada.


A falta de sorriso no rosto do zelador

Matilde não é de rotinas. A única rotina de que ela gosta é aquela que ela pode mudar diariamente, nem que seja só um detalhe. Mudar o caminho para ir à padaria já é uma satisfação.

- Por que ir todo dia pelo mesmo trajeto? Aquela outra rua pode ter algo interessante que nunca verei se nunca passar por lá.

Assim Matilde vai traçando caminhos alternativos, rotas imprecisas, pequenas expedições diárias. Mais do que saber onde está, ela gosta de não saber aonde vai. Correr no parque, na rua ou no ginásio do bairro é uma diversão, um prazer insubstituível. Não apenas pela corrida, mas pelo que pode acontecer de novo e interessante naquele dia, mesmo que sejam as mesmas pessoas que estejam lá. Hoje, no ginásio, ela notou que o zelador estava mais calado do que usualmente. Ele sempre a cumprimenta com um sorriso mais enfático do que seria o apropriado para um servidor público dar a uma visitante, reconhece. Mas ela já se acostumou a gostar de receber essas boas-vidas todas as noites. Hoje não. Ele parecia triste e distante. Apenas olhou e sorriu amarelo, como se pedisse desculpas pela falta do sorriso devido. Ficou intrigada. Por pouco não foi questioná-lo. Mas, já aprendeu que a curiosidade pode trazer grandes problemas, especialmente naquela cidade, onde as pessoas costumam ser reservadas ao extremo, preservando, com caras, bocas e olhares desconfiados, suas privacidades. Foi difícil concentrar-se na corrida com essa dúvida na cabeça. Nem a música, nem o cansaço, nem o ritmo do coração já acelerado pelo esforço a fizeram esquecer aquele sorriso faltando na cara do sempre simpático zelador (qual era mesmo o nome dele?).

No campo de futebol onde corre (a pista de cascalho improvisada ao redor do campo de grama, tem sempre umas oito a dez pessoas correndo, em ritmos e objetivos bem distintos) tudo estava normal, como sempre. O pessoal da equipe de levantamento de peso no mesmo canto próximo à entrada, rodeados de seus equipamentos indecifráveis e aparentemente perigosos, sempre exibindo corpos impossíveis de conquistar e com a seriedade e profissionalismo de quem se prepara para as olimpíadas. Do outro lado do campo, os insistentes e sempre alegres jogadores de futebol, ocupando apenas a parte próxima ao gol (parece que treinam sempre chutes a gol?). Havia ainda a turma da terceira idade, sempre em dupla ou em pequenos grupos. Conversando mais do que andando (Matilde gosta de caminhar devagar atrás deles para ouvir o que estão falando), gestos lentos, olhares de desconfiança para os mais jovens. Rostos graves, como se praticassem um ato muito solene enquanto caminham. Havia também os atletas de verdade. Corredores profissionais ou que sonham em ser. Com seus corpos definidos, sarados e suados... Matilde gosta de correr atrás deles, não para alcançá-los, mas para ficar olhando para as pernas por mais tempo.

Apesar de tudo parecer normal, a falta do sorriso do zelador ainda era um mistério. E Matilde não gosta de mistérios que ela não possa desvendar ou ao menos inventar uma boa hipótese para eles. A sua lista de motivos sobre a falta de sorriso do zelador já estava chegando a dez possíveis motivos. Mas os mais plausíveis era de que ele estava doente ou sua esposa o tinha deixado ou seu filho teria sido preso por tráfico de drogas. Ou ainda, que ele estava irremediavelmente endividado ou que sua esposa tinha descoberto a sua segunda família, que ele mantinha escondido de todos por quinze anos.

Hora de ir embora e a questão ainda sem solução. Já perto da saída, reconheceu a dona Célia (ela sempre sabe de tudo e gosta de contar mais do que o perguntado) que estava saindo da academia do ginásio.

- O que aconteceu com o zelador? Parece tão triste hoje.
- Ah, ele está se aposentando. Na semana que vem não está mais aqui.


Correção

Amor, percebi que quando olho as coisas, as pessoas, as paisagens, os livros, não consigo deixar de te ver entre mim e essas coisas. É como se você fosse a lente pela qual eu enxergo tudo. Estás dentro e fora de meus olhos. Parece até que a comunicação entre meus olhos e meu coração passa (como a energia em fios condutores) por você (ou pelo meu amor por você?). Não sei como funciona esse filtro que você faz no meu dia. Só sei que (olhando sob você) percebo tudo menos cinza e até sorrio comigo quando os acontecimentos tentam me aterrar no dia. Eu olho pra você dentro de mim e te beijo, ironicamente (Veja, amor, como são idiotas! Se eles soubessem o que sabemos! O que sabemos, amor?)

E é tão bom te repetir em mim, minha vida! É tão bom te requisitar espontaneamente em tudo... e te pensar e te olhar e te expor em meu pensamento e te venerar em meu coração. É tão gostoso te iluminar dentro de mim que fico transbordando de uma grandeza imensurável. Um universo expandindo em amor. É doce e pleno. Mesmo quando fere. E você me fere. (porque o amor fere, quando é amor de ferir. Há outros). Você me fere de causar vertigens. Lágrimas e dor de cabeça? Já muitas (Não estou aqui para te bajular. Nem saberia. Estou aqui para te amar porque te amo). Mas você me fere quando não vem; me fere quando não responde; me fere quando não diz.. e quando diz... e quando escreve... para... e não... e longe e ... e escancara e ... sempre ...que possível?!

Mas então você vem e cura tudo em segundos mágicos de teu amor de amar sem mais e sem pontos. Olhos teus mágicos de amor de matar fantasmas e dúvidas e dores. Olhos de consumação, de conjugação, de amor. Em segundos você me lembra de que te amo (e por que será sempre assim) e me lembra também de que tu me... Então eu mergulho (chovendo...) em nosso amor de quase nuncas-sempre e... pode apagar a luz. 


Imagem:  http://www.deviantart.com/art/Joyful-flight-551426781

Um comentário:

Daniela Delias disse...

Dentro da música.
Dentro!