sábado, 15 de agosto de 2015

Maricotinha

*
Por Germano Xavier


A moça do outro lado parecia feita de flor. A delicadeza em pessoa. Uma pluma. Fiquei imaginando a frivolidade de seus desejos, a superficialidade de seus conceitos, as frescuras de seus hábitos - Preconceito? Que seja... Nas palavras - eram poucas -, transbordavam os comuns lugares. Admiro até quem não tem o seu lugar, mas não admito quem só se esconde assim, em meio ao nada. O tom imperativo só mostrava a que condição a florzinha estava acostumada: mandar e choramingar quando não obedecida. A vida passou longe. Experiências nulas. Visão curta. Coração verde. Um arbusto, sem raízes no chão da existência humana. Um lago raso, sem vida dentro. Ainda. A menina vomitava intelectualidades com ares de especialista. Só convenceria aos incautos. Mas parecia confiante. A ignorância sobre si é a melhor de todas. Bom seria sabermos apenas o que temos de bom, de melhor, de menos maculado em nós. Ah, como a inocência é invejável! A ignorância é mesmo uma dádiva. Especialmente sobre nossos defeitos. Mas a menina insistia. Eu não. Cansei-me em um minuto. Nunca mais a verei. A menina. A mulher? Do outro lado da tela. 


* Imagem:  http://chriseastmids.deviantart.com/art/You-are-my-favorite-kind-of-self-harm-495755918

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