quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Os multilares do amor

*
Por Germano Xavier


I

Eu sei que não deveria ficar aqui. Você também sabe. Mas vou ficar. Ficarei até que não possa mais abrir os olhos e não te ver. Ficarei até não existirem mais horas no dia para sentir a tua falta. Eu estou longe para poder suportar tanta presença tua em mim. Tanta ausência tua em mim. Preciso ir mais longe? Ou precisarei fazer o caminho contrário e invadir teus olhos?

Eu sei que considera cada bobagem que te digo. Você considera e até tenta entender. Até tenta amortecer a queda... Mas sabe que não pode. Não pode mudar o curso do amor. O amor é um destino em si. É morte acontecida. Só me resta torcer para que exista vida após a morte.


II

escreve em silêncio,
a lua,
nossa vocação.

e eu, violando em recusa,
teus silêncios,
inundação.


III

PS. Eu te amo,
enquanto você
constrói a penumbra.


IV

ilusão
que importa se?
é em torno dela que me encontro inteiro
que importa se?
é o chão onde nunca caio só
que importa se?
é nela onde me reconheço igual e diferente
que importa se?
é ela que me faz sorrir a alma
que importa se?
é sangue, ar e árvore: vida
que importa se?
é a casa de meu desejo
Amor.


V

jorra
descontrolada e só
furiosa cachoeira incolor

salpica
leve e friamente
gotas de súplice amor


VI

e no mais
no mais
essa dor de cabeça
é a filosofia do arpoador

só queria fazer parar
a rua lá embaixo
e adornar o silêncio
com o teu amor


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/ANTI-SEASCAPE-518345773

Um comentário:

Daniela Delias disse...

fazer parar a rua lá embaixo.

:)