segunda-feira, 23 de novembro de 2015

As árvores amorosas (Parte XXIX)

*
Por Germano Xavier

poema para a mulher que amava a nonna 


luar de luz, mata adentrada,
reino inteiro de vaga-lumes
cavalgado no redestino.

tu abraças a nonna, em despedida,
alteias a aurora em boca seivada
- dominâncias de flor furtada.

és altiva, em seus locais de quem,
moradeira de gostos e tambéns,
risco pontudo no centro de um sol.

inventemos o amanhã dos julhos

após o fogo nos descalços pés,
tarde engolindo remadrugadas,
muco extraindo tórridas horas.

de mim,

terás (sempre) a verdade dos tímpanos,
a doçura das desnaturezas,
a amarga saudade das incertezas.

de ti,

o desejo para o fel dos potes,
lama ácida de tuas fugas, prestes
a doar-me à infausta noite escura.


*Imagem: http://www.deviantart.com/art/Magical-tree-412733201

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