quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Mesmopulso

*

Por Germano Xavier


mesmopulso/
entre potes de pimenta e frascos
adornados com azeites clandestinos,
o estado das coisas agrava a vida,
cor e cheiro e chuva

mesmopulso/
saídos dos tachos que moendam o mel
da flor dos canaviais chapadeiros,
os homens absorvem o lento tempo
com a ancestral lâmina das horas

mesmopulso/
escutar os passos do pai
a bolinar a mansidão da manhã,
sentir o fogo-mãe a cometer livramentos,
a retorcer angústias marinando ausências

mesmopulso/
a voz que ouço nos corredores da velha casa
é a mesma de quando o chão era instinto,
a mesma de quando o bule chiador era alçapão
para cativar prosas mansas de tardes inteiras

mesmopulso/
os sons metálicos das pás dos pedreiros,
o levante do sol frio entre aceroleiras,
o rumo incerto de todas as pressas,
um circuito de essências nos silêncios


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/hand-25904212

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