domingo, 13 de março de 2016

A Poesia que me pariu

*

Por Germano Xavier



Onde guardei a minha língua de trapos?
Onde a minha acidez?
Onde o meu "foda-se o mundo"?
Onde a minha cara de "tô nem aí"?
Onde depositei o canivete verbal?
Onde a estonteante dança de sentidos?
Onde o indecifrável enigma entre(i)dentes?
A peixeira de Lampião dos adjetivos cortantes?
Onde deixei a cartilagem linguística, tubarão branco das palavras difíceis?

Busco em meus dias mais distantes
o fogo ancestral, a indomável chama
que me queima em noites de lua cheia,
a febre que me torna eterno,
a indestrutível paixão primitiva pela palavra-alma.
A Poesia que me pariu.


era uma vez um poeta irônico, por vezes sarcástico, raramente romântico, sempre ferino, sempre inteiro// era uma vez um poeta em mim//



* Imagem: http://www.deviantart.com/art/A-Hedonist-s-Profile-15057920

Um comentário:

Malu Silva disse...

Creio que com o tempo as nossas formas mais ácidas ou se acentuam ou se amenizam... numca somos os mesmos por muito tempo.

Um bom domingo e se desejar venha visitar minha nova casa, pois fiquei muuuito tempo afastada e agora resolvi voltar.