quarta-feira, 29 de junho de 2016

O trabalhador

*

Por Germano Xavier


acomoda,
discreta e serenamente,
desilusões desenhadas na face.
transporta, como cabide humano,
uniformes velhos e hostis.

carrega,
na memória do corpo,
humilhações que se enraizam
e embotam a doçura que havia na esperança.
postes humanos fincados na rude existência diária:
o pão, a pá, o chão, o sol, o lar.

mãos ainda em duelo
/contra a vida? contra a morte?/

olhos em alerta de fogo.
sobrou amor?


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Sisyphus-604320800

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