sábado, 30 de julho de 2016

Templo do Tempo

*

Por Germano Xavier



em pleno mar, sem âncoras
nem velas, enraizados estamos
à deriva da máquina reveladora de destinos.

em pleno mar, do Tempo, canhoto cumpridor
dos mil desastres, caminhamos plenos de incertezas,
rumamos compridos em impermanências.

este mar que nos mostra o que se flagra
de nossas menores importâncias, é o mar
que espalha por terra os engenhos do inferno.

em pleno mar rebentam ondas de suplício,
cuja força isola toda uma libidinagem de suores
em lágrimas castas de ilusão.

o mar, templo aquático do Tempo,
este grande negro profundo, julga e deturpa
o que nele afunda e liberta o que pondera.

em pleno mar minhas costas cambaleiam,
e dentro das maldições matinais do agora,
abanco-me no que ainda para sempre restará sem mim.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Sea-30228366

Nenhum comentário: