quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Prelúdio para cravo

*

Por Germano Xavier


deveria ser o começo
nas semelhanças, na gratidão esboçada,
na química atômica das palavras,
uma bela mostra do belo, uma apoderação
do instrumento /cravo em barroco francês/,
ou um Jean-Baptiste Lully, alma perdida no tempo,

deveria ser o tempo furtado, o não ter limites,
ser sem premissas em inesperado encontro,
em sincronicidade num mosaico de fragmentos,

Bach a nos falar, semelhante com semelhante,
canceriano filho da lua por ariana bruxa, que guitarreia
castiçais, ressonâncias, a domar caleidoscópios, transpor transes,
e porque temos fomes vorazes, semeamos iguais quenturas...

deveria ser em qualquer lugar, lábios entre os corpos,
sem adiantar correr nem supor o estrago, nem se indignar,
poder ter a coragem de negar o insensato querer
e na fantasia de nossas vidas, conceder em centúrias
os bons termos do mistério, do sexo, da lascívia e do amor.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Clavecinons-184675826

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