quinta-feira, 1 de setembro de 2016

As babéis de Ses (Parte I)

*

Por Germano Xavier



“sonhei que eu estava cuidando de um menino que era cantor, mas que por algum motivo parou de cantar (vida triste). Então, eu deitava com ele em uma cama de lençóis brancos e eu o protegia. quando minha mãe veio com um passarinho (meu passarinho)... então, eu o mostrei para o menino e ele ficou encantado com as gracinhas que meu passarinho fazia. o menino esqueceu da tristeza e começou a cantar. o canto do menino era tão lindo como o do passarinho. quando minha mãe veio apavorada dizendo que perto de mim tinha um "bicho" que ela conhecia e que ela sabia que comia passarinho. ela me mostrava a carcaça de um que ela tinha descuidado. Então, eu dei fé de onde estava o meu - ele estava protegido dentro dos meus lençóis e ficava me picando pela coberta. então, eu o peguei e o dei nas mãos da minha mãe para que ela o guardasse. perto de mim tinha um cachorro grande e simpático que gostava de mim - vinha como amigo -, mas eu não vi se minha mãe conseguiu guardar meu passarinho. quando tive uma madorna (sonho curto , com revelação). será que teu coração é de menino, menino? e porventura estavas triste? se for assim me alegro, pois sei que de algum modo contribuo com o alívio de tuas cores. no sonho o menino cantava como passarinho feliz.”



A moira turca

meu nome é um som no destino,
um som e uma estrela em baile, e você
em dança, dervixe assombrado,
escuta a minha música nos salões.

teço fio a fio o canto das faltas,
a dor da coisa real que dentro existe.
um amor - pois nunca acabou -,
deram-lhe... o interessante aroma
do que revive e me amas com tuas dores
e teus amores. e teus sofreres.

com tua morte e teu nascimento,
escalo tuas árvores e lá de cima desconheço-as,
como a guardar em meu cálix o que em ti germina,
ser teu sagrado, para ser infusão.

crio notas de amor visceral na imersão aromática,
e orgânica, substância em líquido-fogo que tudo agrava.
em águas vaporosas minhas, baroque em vil toada
- coisa que acompanha o devaneio -,
ligo o que surge ao que nos insere.

é, pois, através
do doce pânico das cordas
que nos adequaremos para depois em adentros.
ser um único texto, e por tal tomados na profusão dos vários,
ainda nos fertilizará algures uma espiritual certeza de amanhãs.


* Imagem: http://www.partes.com.br/2015/07/07/as-moiras-do-seculo-xxi/#.V8h3DvkrLIU

Nenhum comentário: