domingo, 11 de setembro de 2016

As babéis de Ses (Parte IV)

*

Por Germano Xavier


"eu sonhei com você. no sonho era um garoto - que eu pensava ser você. o menino olhava fixo para um lugar. uma rua sem saída. eu pegava umas pedras que estavam no chão e dizia para o menino falar através das pedras. o menino me olhava como se tivesse entendido, mas não sabia como fazer. então eu o ensinava que duas pedras era não e três era sim. eu perguntava: você olha para o passado com dor? três pedras. ainda não perdoou? três pedras. então eu perguntava o que foi? o menino olhou para mim e disse: traição. eu acordei."


Os azulejos de Iznik

os vestíbulos da velha cidade
escodem até hoje o crime maior.
contam os mais velhos, 
em tons de denúncia e de vergonha, 
que o grande Móris, 
rei das mais vermelhas terras, 
abandonou a mais certa das conquistas:
o amor de uma mulher.

castigado pelos julgamentos,
largou o reino e partiu em cavalgada
estrada adentro, noite afora, coragem além!

no caminho encontrou seu grande amigo
e confidente. a ele, um recado para seu povo deixou:

fugi do amor para conhecer a paixão, 
para ver de perto o pulso da vida,
para sentir o doce aroma das cores
que me afirmam o horizonte.

pérfidas podem ser minhas escolhas, 
mas, pelo rei que até o sempre amará seu povo, 
clareie as vistas dos meus em alvíssaras!

a paixão, fiel paladino, é um giganteu amor!


* Imagem: http://pt.123rf.com/photo_18036564_azulejos-turcos.html

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