sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Minúscula nota sobre claros desentendidos

*

Por Germano Xavier


censura engatilhada em pressão contínua.
controlo jorros incontroláveis de palavras – borboletas -,
jatos incertos de palavras - balas - perdidas
me acertam o rosto e voltam para o túmulo onde nasceram.
mordaças nos olhos na boca na palma das mãos
cortam a pele frágil dos quases.
dias vendados, sentidos enganados enganando o engano.
tão completamente é o sentir que o fingir é prova de.
sentir é a única verdade única,
o mais tudo é verdade fingindo mentir a verdade.
batidas de asas não trazem o voo...
mas refletem o céu no céu que tivermos céu.
silêncios contorcidos
rasgam a minha boca torturada pela falta de.
/tua voz me falta a voz!/
nada é mais desumano
que censurar a própria alma.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Sleepers-Awake-638615804

2 comentários:

Nadine Granad disse...

Sua minúscula nota é gigante ;-)
Sinestesias, antíteses, tudo em harmonia...
Os "quases" nos tiram as certezas que, por vezes, precisamos!...
Belo!

Abraços =)

Jullio Machado disse...

Salve camarada!
Você, deveras, está em outro nível. Patamar de quem já tem bastante conhecimento, intimidade, com as palavras, com os sentimentos,ensino aprendizagem bem desenvolvidos, por isso e por muitas facetas já é um poeta por expertise.
Não falo por esse texto ou outro qualquer, mas pela trajetória que você vem alçando em interessantes voos com espírito alumbrado (pensando espírito como uma parte da matéria).

O que diria Baudelaire; " por inspiração ou por desespero?"

Abraços poeta de várias vertentes.