sábado, 7 de janeiro de 2017

As babéis de Ses (Parte VII)


Por Germano Xavier


"a matéria do acaso é a memória do futuro"


Caminhos para o Roncador


uma coisa lhe digo:
o futuro é uma época ancestral.
por isso, chamemos o acaso pelo nome!

no interior vulgar dos infernos,
na memória vaga dos absurdos,
no concerto máximo sem música,
quando atingida a palavra comum das sortes,
o amor restará feito abstração,
nas cantinelas e nos raciocínios.

só amor só,

à esquerda das tempestuosas febres dos ocasos...
a bombordo, a lâmina de madeira do velho marujo
esticará o horizonte de sua juventude tomada.

enxergará, então, o velho bucaneiro,
que o amor é a besta do mar, o monstro rotundo
que explode nas águas após rasos voos.

sentirá, pois, o marinheiro,
que as águas de lastro de sua embarcação
estão contaminadas pelo amor que se entrincheirou
pelas sendas de todas as retóricas oceânicas.

o azul, no agora,
terá o requinte da seleta minoria
que teimará em singrar a estrada espumosa
e branca.

chamemos pelo nome a direção dos portos!
chamemos pelo nome a atenção das paixões!
chamemos pelo nome a glória dos quereres!
chamemos pelo nome o medo das obras!
chamemos pelo nome o monumento aos náufragos,
o campo esquálido dos temores, a desordem dos desejos
e os ninhos dos desafetos.

chamemos pelo nome, ó insuspeito progresso,
toda a fama de nossas mortes acidentais!


* Imagem; http://tab.uol.com.br/roubo-arte/

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