quinta-feira, 11 de maio de 2017

A medida da penumbra

*
Por Germano Xavier



na medida certa do infinito, a penumbra.
na medida incerta do agora, a penumbra,
de prantos ou êxtases, de milagres e epifanias.

em expansão dicotômica, ultrapassa as fronteiras
de luz e escuridão, rearrumando o equilíbrio
do que só existe quando se vê.

na medida elástica do desejo, a penumbra
elabora, em constantes furtivas, a poesia,
em aposentos eternos e em retinas em transe.

na medida certa de incidência, a penumbra
refaz a ordem de espaço e tempo num incansável agora.

na medida certa da visão-além-olhos,
a penumbra anula exatidões de certezas
e reposiciona o abismo dentro de nossos concretos.

na medida certa do silêncio, a penumbra fecha janelas
para formação de infinitos e incalculáveis abismos
dentro de nossas liberdades.

a penumbra: palavra-abrigo-constante,
em música-imagem-fuga,
imprime-nos, em alma-corpo-memória,
finos contornos de paz com sua lírica fonética.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/B-r-i-c-k-s-116119272

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