sábado, 27 de maio de 2017

As babéis de Ses (Parte XII)

*

Por Germano Xavier

"A luz no subsolo é um poema sem ouvidos..."


O fim: nunca mais


a luz no subsolo,
metálica alvura, ladina, venal,
amola e desgasta e afia a ânsia
ou a beleza de tudo.

meu pai foi o criador dos desertos,
ensinou a mim sobre a triste, dura e árida
realidade. meu pai foi o Messias.
para ele, e depois também para mim,
o fim perverso dos entalhes da vida
era a fábrica de todas as condenações.

e você, diante do nervoso pecado,
crucificou os infortúnios,
acusou de tênues as areias da arte.

coroamos um ditador simpático
a nós: o desagrado pela falsa guerra
do amor.

por fim,
queimaram nossos livros,
depuseram nossos líderes de alma,
mataram a Grande Satisfação,
fecharam as fronteiras das ambições,
sorriram como se algozes empossados de verdades,
como se conhecessem todas as vielas do Inferno,
sorriram.

sorriram para nós.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/luna-moth-157435380

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