quinta-feira, 6 de julho de 2017

As babéis de Ses (Parte XIV)

*

Por Germano Xavier

"há sempre um copo de mar / para um homem navegar"
(Jorge de Lima, em Invenção de Orfeu)


O fim: para quando a cólera


grão inteiro,
tudo começa no teu amor,
tudo resvala
na inconsútil imprecisão da dor
ou de certos valores que deliram.

íntegro núcleo,
generosa região de todas as obras,
parece que buscaremos a terra
nas rebeliões de nossa história.

semente prenhe,
língua germinada na voraz novela
das vistas incompletas,
sê tu o prêmio pela densa criação
inconfundível.

sê, para quando a cólera,
abandonada à produção das exuberâncias,
sucumbir numa enorme edição de nadas,
o fim | o nosso fim |
que principiará a última festa úmida das febres:

espeto, fresta, comedimento e drama
| interno labor dos corpos |
eterno


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/lost-at-sea-690770053

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