sábado, 15 de julho de 2017

As babéis de Ses (Parte XV)



Por Germano Xavier

"há sempre um mesmo cheiro / dentro dele a perdição"


O fim: o fim


tenho ouvido a sinfonia agreste dos horizontes,
bebido o suco escuro do mundo e das pessoas,
rumado ao mais bruto interior das fomes
e, com total sinceridade, teço o verbo que diz
não haver por perto nada semelhante ou quase igual.

elaborada a extensa exigência de meus recursos
de vista, crio ao te pensar a consistência atingida
dos revelamentos, dos estímulos, das necessidades.

é como se eu invadisse na noite fria teu laboratório
de fragrâncias e dominasse a prática de tuas desorientações.

o tema imprescindível para o poema foi-me dado.
destinar o amor ao que não tem fundamento e simplesmente
amar, muito amar, depois amar, inadequadamente amar.
amar e desamar, amar e desaguar, amar e reamar.

e quando eu estiver de novo a caminho de casa,
e quando aqueles crisântemos amarelos se alargarem
diante de meus olhos, perto da porta, da entrada,
por baixo dos nascimentos de sol das matinas
aprenderei a ver qualquer cor de mácula ou de excesso,
bonita e demoníaca, como um pensamento
ou um pedido para o que é justo ou, simplesmente,

um tinto mistério.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Internal-692755018
** A série de poemas AS BABÉIS DE SES, iniciada em 01 de setembro de 2016, termina aqui.

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