sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Fagulha


Por Germano Xavier


#1


para avivar os sentidos e lubrificar
as engrenagens da alma e do corpo
(antes que tudo vire pó),

é preciso a fagulha
de graça ou de fome,

é preciso a semente de fogo
para fazer incêndio, para queimar as mãos
no processo de fazer vida.

antes
que tudo vire passado,
é preciso a fagulha

para fazer valer o tempo
que se consome no corpo,
para transformar espera em saudade milenar,
que arderá nas estações...

é preciso a fagulha

para mudar o curso, para buscar o verbo,
para arriscar o olhar em busca de ouro.
... e depois de escavar, saudar os deuses

e morrer em paz.



#2


para morrer em paz,
para existir na falta do fogo
ou no fogo da falha da falta
da paz, da existência mínima.
para viver em paz, para morrer sem paz,
minha obra ficou no aquilo que for,
no que vamos levar em que não seja
o que vier ou o que gerarmos.
para sempre, para mim, é o lugar
para ir e para ser e para sermos, então,
sem para quês nem por quês...

pensar nisso que não apequena
por dentro em nós o que em mim,
nisso que sim, disso

a decisão, eu me disse
de acender os que são,
como o não, como o pão, o trigo da vida,
escada do ser em ir, ou simplesmente,

essa fátua fagulha.


* Imagem: https://www.deviantart.com/art/fagulhas-189702458

2 comentários:

Nadine Granad disse...

Bonito!
Palavras que fervilham, que incendeiam...
Pode ser uma fagulha passageira, mas certamente deixa uma perenidade poética!...

Beijos! =)

Germano Viana Xavier disse...

Deixa sim, Nadine.
Como pegadas.