segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A despeito do Tempo



Por Germano Xavier


é feita de tempo a tonelada, o peso encardido
no metal das coisas, a bigorna em badalos que me esmaga o crânio
em marteladas de agonia, de dor.

e essa mão que me espreme ou me consola,
essa mão que me atinge como mão de pugilista,
tão infinitamente neutra quanto a chuva ou o sol,
é a sentença que encerra a todos
debaixo do mesmo céu, do mesmo templo,
o tempo: guardião da sanidade.

por tanto chão, por tanto obstáculo,
faço que respiro a despeito do ar
que te assedia ou te engole
num abraço inevitável .

invento que respiro e que sou
o próprio ar, mesmo que fraco,
mesmo que incômodo.

ou mesmo que pouco.

(e a inspiração será a calma que nos salva o rumo)
porque respirar (ainda)
é viver.


* Imagem: https://www.deviantart.com/art/Tears-of-time-694952051

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